Mais do que nunca eu estou certa de algumas coisas, e isso é bom; saber o que se sente... Completo as etapas escrevendo, então aí vai minha mais recente afirmação. Que as coisas melhorem... é o meu desejo pra hoje.
É muito curioso como a vontade de escrever vai se acumulando em mim... vai crescendo, inchando, e chega o momento em que não dá mais pra adiar, aquelas palavras soltas ficam me mordendo por dentro e eu preciso deixá-las sair pro papel; acho até graça às vezes. É bom escrever quando isso se torna verdadeiramente uma necessidade, porque começo a me sentir mais livre, o difícil é só me acalmar pra não sair escrevendo coisas completamente desconexas [o que às vezes não consigo evitar, vide alguns posts anteriores]... quando percebo, já cheguei ao fim do texto, como se outro alguém escrevesse por mim. E só depois ao reler aquele monte de coisas é que eu me reconheço ali, sinto que são minhas coisas, meus sentimentos...
Só que mesmo assim, desta vez, optei por não escrever sobre a viagem ao Rio de Janeiro pra ver o show do Radiohead. Parece que tudo que me vem a mente é pouco para descrever. Talvez o meu vocabulário não seja tão rico como aquela experiência e eu estaria sendo injusta se tentasse contar assim algo tão surreal. E além disso, eu sinto que escrever os nomes, as datas e todo o resto seria como desfazer o encanto que ainda existe; em outras palavras, prefiro continuar sendo mordida por dentro pelas minhas impressões do que colocar pra fora e acabar com essa dorzinha. É, eu ainda sinto boa parte das coisas que senti lá... Porém, uma coisa eu posso contar sem comprometer o poder das fervilhantes lembranças: Eu já estava morta em pé quando começou o show que eu realmente queria ver... algumas pessoas já tinham me pisoteado ou me empurrado, eu estava em pé havia 6 horas, sem água e comida... [minha única refeição foi o café da manhã, por causa da ansiedade, e um copinho de água lá dentro estava R$ 4,00, então só bebi água na saída... haha =P] Mas assim que o Radiohead entrou no palco eu não senti mais nada; só o impacto do início da apresentação... pulei, gritei, cantei, calei, chorei e tudo mais durante o show inteiro sem sentir nenhuma dor [física, pelo menos]. Só voltaram as dores todas no final e ficaram durante alguns dias... =P Ah, Kraftwerk foi super legal também... adorei. Foi tudo o que eu esperava e mais um pouco. Meus sinceros agradecimentos ao Ed, ao Thom, ao Jonny, ao Colin e ao Phil por terem feito valer cada centavo gasto nessa jornada, hahaha ^^.
Estive lendo a coluna do Zeca Camargo, ele conseguiu dizer algumas coisas que eu gostaria, admiro muito a sua coragem de expor tudo daquela maneira, é exatamente o que eu me privei de fazer, pra prolongar um pouco mais os efeitos... então, quem quiser entender melhor a magia do show pode conferir aqui.
Meu computador não está em sua melhor forma, e há alguns dias tem me dado bastante trabalho. Ainda não conseguiram diagnosticar o motivo de sua súbita pane... =/ E para fugir um pouco dos efeitos da crise de abstinência de internet em casa, estou escrevendo do computador daqui do trabalho, agora que já estou livre. Talvez assim me sinta mais "comunicável". Li e escrevi muito durante esses dias e essa parte não foi ruim... o problema é que a rabugice [sintoma da crise] não me deixa gostar de nada do que escrevi; não consigo achar nada do que produzi recentemente digno de publicação. Pode ser que depois de um tempo, com minha internet bonitinha de volta eu dê uma olhada e acabe achando razoável, quem sabe?... Mas acho que estava precisando mesmo postar algo mais normal... estive lendo os últimos posts e estão muito intensos, pesados, parece que os escrevi durante algum tipo de transe [o que não se distancia totalmente da realidade], mas não sou essa tempestade louca todo o tempo... também tenho meus momentos de banal normalidade, acreditem. =P Um fato curioso ocorreu durante esses últimos dias. Em uma dessas noites, pra ser mais exata. O tédio já tinha estourado meu limite de tolerância, então fui esquadrinhar o armário em busca de qualquer livro inédito [sempre deixo alguns reservados para eventuais situações desagradáveis como a tal]. Depois de alguns espirros e livros espalhados, lá estava o eleito: um pequeno livro que eu havia julgado pela capa há uns dois anos. É cor-de-coisa-velha, um tom de rosa bem clarinho... tem uma pintura na capa e nela vê-se cinco pessoas estranhíssimas, uma mulher e quatro homens... Tenho quase certeza que é arte expressionista, mas não consegui descobrir o autor dela... talvez seja o mesmo escritor do livro, ou seu irmão [que era bem mais famoso], porque os dois pintavam... Bom, naquele dia, à primeira vista, gostei muito dele. Parecia que ele havia sido rejeitado algumas vezes, coitado... estava meio torto e empoeirado... talvez não fosse muito atraente pra maioria por causa daquela figura sinistra na capa... O título também me chamou a atenção: "La Casa Ispirata", ou "A Casa Assombrada", então comprei. Algumas das minhas hipóteses estavam erradas; naquela época eu não sabia que meu livrinho aparentemente simplório foi escrito em 1920 pelo autor Andrea De Chirico, sob o pseudônimo de Alberto Savinio, marcando a literatura italiana da época com seu estilo inovador. E não era um livro fácil e nem serviria para minhas necessidades literárias naquele momento, então resolvi desistir [temporariamente] dele. E não imaginam como agradeci à mim mesma por ter tomado aquela decisão. O meu livrinho, com sua história emaranhada e sua linguagem surreal, salvou-me a noite. Ah sim, a parte curiosa vem agora. =P Logo na primeira página, deparei-me com um trecho ao qual não havia dado muita atenção quando comecei a lê-lo pela primeira vez... aquela parte parecia ter sido tirada do meu texto da noite anterior, exceto pela escrita mais rebuscada, obviamente =P... mas a idéia principal era a mesma. Achei interessante, e senti uma repentina identificação com o autor [arriscaria até dizer uma certa afeição por ele], como se ele me ajudasse expressando por mim o que eu não conseguiria descrever tão bem. E é com este trecho que eu me despeço. Um beijo. ;*
"As ações enfrentadas com ânimo alegre costumam cumprir-se com felicidade. Mas aquele dia foi triste. As esperanças, asas cansadas em fadigosos vôos, esmoreceram à noite, tal como caem as pipas quando o vento amaina".
Quer saber? Nem é puramente a insônia que me incomoda... como já disse, gosto de ficar só e devanear nesses momentos; sou amante da quietude e de sua magia. Teria o maior prazer em passar o resto das minhas noites acordada. Poderia aproveitar meu tempo lendo [como fiz essa noite], arrumando meu guarda-roupa, criando histórias, comparando-me com minhas próprias personagens, fazendo carinho no meu cão até que ele dormisse e... ah, mais um titanic inteiro de possibilidades. Eu ficaria feliz em ser a eterna antítese da bela adormecida se isso não fosse uma disputa, se eu pudesse enfrentar meus pensamentos irrequietos quando me conviesse e dizer: "Hoje não, 'amiga'... eu tenho sono e pretendo usá-lo...". O problema é que normalmente não consigo vencê-la... tenho meu orgulho ferido a cada dia, a cada batalha perdida para ela. [Quase] Sempre assim.
| Insônia 22 X 4 Roberta |. Placar desonesto. [Até o momento, ao menos].
De uma maneira peculiar e restrita, eu gosto dos dias estranhos. Mas começar o ano com dias estranhos é uma coisa bem diferente. Não pode ser um bom sinal.
Sim, hoje foi um deles. Nenhum sono, nada mesmo. Nem depois de caminhar bastante. E quando percebi, lá estava eu olhando para o grande painel na seção de vestuário do hipermercado... se fosse um espelho eu não me veria melhor, pois não era o painel que eu enxergava. Eu me via lá dentro, a trama se formando e muitas nuvens. Muitas. Nem sei porquê eu fora parar ali. Sei que nunca vou saber por quanto tempo estava dentro de mim e sei que alguém pode ter reparado. Na hora nem liguei... não mesmo, juro. Just like this, rápido e pausado ao mesmo tempo, nesse ritmo ininteligível, quase obscuro. Não sei se foi obra dessa noite perdida apenas, ou da junção do que esta e todas as outras causaram a mim, mas enquanto o meu corpo estava lento, minha mente maquinava cada vez mais veloz e eu podia me enxergar escrevendo freneticamente, a vontade de despejar as palavras quase me enlouquecendo ali naquele lugar lotado, mas ao mesmo tempo totalmente vazio.
E foi assim... dia 3.
O que aconteceu depois não importa tanto; essa mescla de sentimentos e nuvens continuou a me desafiar. Nem o cinema, nem o medo de um possível próximo dia ensolarado conseguiram dissipar a ameaça da tempestade. Ela se transformou em raios internos que por sua vez transmutaram-se nas palavras sombrias deste texto. Será 3 um bom número? Nunca consegui acreditar muito no poder dos números... no das palavras sim. Mas dos números... Bem, de qualquer forma, espero sinceramente que seja bom, a estranheza do pensamento ou de qualquer palavra que chegue a ser pronunciada pode confundir e alucinar... Números são seguros. Na maioria das vezes, acho.
Sei que pode soar meio hipócrita desejá-los um 'Feliz 2009 :D' quando eu mesma [neste momento] não acredito que vá ser tão feliz assim. Maldito pessimismo. Ou bendito, sei lá... Talvez se eu não esperar tanto do ano que começa, ele acabe sendo legal... Anyway, como cada ser é um mundo novo e esquisito, eu resolvi desejar sim, e cada um faça o que quiser com meus votos... Sejam cuidadosos, pessimismo pega às vezes. É sério. [Oh Deus, lá vou eu novamente]...
Texto escrito na noite passada, que foi uma das mais longas deste ano. Acreditem, se eu tivesse dormido, não teria descansado tanto como fiz ao escrevê-lo.
Poucos diriam que em noites de insônia e solidão pode haver algo de bom. Mas sim, para mim são bons os momentos em que o silêncio impera; é quando posso ouvir meus gritos internos e estudá-los a fim de fazer conjecturas sobre mim mesma. Neste instante, eu diria que estou em paz. Em paz com os meus fantasmas e limpa de rancores ou remorsos. Apesar de ter vivido um dia atribulado e cheio de novidades (boas e más), ainda estou aqui, e não choro, nem rio, tampouco sinto nada que não uma pura vontade de escrever escrever e escrever madrugada adentro sem pausas. Alguns dos meus temores se concretizaram e, para minha surpresa, eu não caí como achei que cairia. Através do meu medo e das poucas lágrimas momentâneas, consegui ver que aquele sentimento desagradável não era nem uma décima parte do que eu achei que seria... um sorriso formou-se em meus lábios e comecei novamente a planejar... desta vez nada tão distante, nem nada absurdo; estou tentando não sonhar além do que devo. Mas isso quer dizer que eu ainda sei ter esperanças! Eu posso ser só mais uma tola que persiste em sua fé na futura realização dos seus desejos, ou posso ser alguém que está aprendendo que é válido acreditar que seus planos podem dar certo. É preciso esperar pra ver... eu sei que tropeços fazem parte toda caminhada, sei que vou vacilar e voltar a duvidar novamente, mas vai ficar em mim um pouco do que eu estou sentindo agora, e essa será minha motivação pra continuar acreditando. Sempre que eu julgava estar olhando pra mim, na verdade estava vendo os outros... Decerto ainda voltarei a esquecer de mim, afinal eu sou eu... mas não mais como antes. Agora eu me importo também comigo... e as cicatrizes perdurarão, mas nem todas me farão recordar coisas ruins.
E mais uma vez as lembranças continuarão sendo apenas lembranças. Conservá-las e recorrer a elas como a uma feliz pintura de uma época farta é o mais sensato. Talvez seja mais justo assim. É como um amor platônico... você o cultiva: imagina, sonha, suspira, pragueja, ama, odeia, segue, ama novamente, observa, admira... tudo aquilo vive em você, ferve em você e você quer ver, deseja poder tocar e sentir o cheiro, sente vergonha por desejar, e ama, ama. E isso é lindo, essa é a graça da coisa. Se um dia aquilo se realiza e torna-se tangível, provavelmente perderá o brilho, aquela explosão de sentimentos não mais acontecerá. Nada é perfeito.
Parei para pensar no que realmente é melhor pra mim... toda dor deve ter limites; embora algumas sejam necessárias e em alguns momentos até prazerosas, chega. Não dá mais pra ficar montando histórias e idealizando situações que nunca irão se concretizar, pelo menos não de maneira completa. Achei que fosse válido arriscar e jogar, mas não é. Não agora. Talvez em outro lugar, em outra época e visando outros desfechos eu volte a apostar, mas este não é o momento de ser sentimental ou egoísta. Eu não quero enganar, não quero brincar, isso cansa...
Um obstáculo que é encarado como falta de sorte pode ser na verdade uma boa chance de reavaliar os seus atos. Um ônibus perdido, um desencontro, um sinal de ocupado ao telefonar, e infinitos outros pequenos transtornos podem ser apenas alguém querendo te dar algum tempo. Ou não. Talvez você seja mesmo um puta dum azarado, haha :P. O caso é que hoje eu quero acreditar que estou tendo essa chance e aproveitá-la. Não vou ganhar nem perder desta vez, embora saiba que ainda irei experimentar outras vezes a perda e da vitória. Ficarei neutra, e voltarei sim às minhas memórias, não como uma pessoa amargurada que precisa se prender ao passado, mas como alguém que sabe que saudade pode ser também uma dádiva, uma prova de que coisas bonitas foram vividas.
Vou procurar ser a mesma com as pontas dos dedos tocando o chão, levitar demais pode causar graves danos e toda sonhadora tem também que defrontar a realidade às vezes.
Já me proibi diversas vezes de criar esperanças. Isso em vão, pois não é algo que se possa controlar. Na ânsia de acabar com a confusão de sentimentos que é constante em mim, acabei achando que seria possível... mas definitivamente não é. Sempre volto a sonhar e fazer planos, volto a confiar e apostar nas pessoas. Certamente quebrarei a cara ainda muitas vezes e me arrependerei de ter confiado novamente, mas me recuso a fazer diferente... Eu magoei e fui magoada, achei que muitas coisas estavam perdidas. Já tentei esquecer cheiros, sorrisos, arrepios, dias de chuva... mas é como naquela música que canta a Vanessa da Mata: "Peço tanto a Deus para esquecer, mas só de pedir, me lembro...". Não basta querer esquecer, e talvez não se consiga esquecer porque não é pra ser assim... talvez eu precise acreditar novamente, jogar outra vez... Mesmo que surreais e distantes as lembranças ainda estão aqui intactas... pode ter sido sonho, mas porque não sonhar mais um pouco? Tenho mantido os pés no chão há tempo demais, e tudo tem que ser na dose certa. Eu não sou a mesma sem me desligar um pouco da correria, então lá vou eu apostar novamente. Conto depois se ganhei ou perdi.
Escrevi muitas coisas hoje, mas não ouso publicar tudo... os meus últimos escritos têm sido muito densos, melhor guardá-los. Divulgo apenas esse poema, uma antiga coisa que precisava externar. Obrigada à quem visitar, beijos.
Autarquia
Talvez expressar-me assim seja um erro Mas ainda és em mim tempestade Tudo, tudo aquilo que vivi a esmo Antes me parecia a mais doce verdade
Meu desejo é arrancar-te dos olhos Não ver mais tudo em que vejo você Porém, são distantes os outros caminhos E a tua voz insiste em permanecer...
Às vezes espanto-me ao admitir Que ainda vive este sentimento só meu Entranhado, misturado, Fluindo, enlouquecendo Marcas que eu não soube extinguir
Livrar-me do teu fantasma eu queria, Expulsar de mim tudo que foi teu Um dia hei de construir minha autarquia Confiar no tempo, aliado meu...
E a vontade de escrever hoje vem em uma hora muito incoveniente. Tô no trabalho e já tá quase na hora de ir embora, então resolvi dar uma pausa, porque tem milhares de pensamentos agitados martelando na minha cabeça e eu não consigo terminar nada direito assim. Como escrever sempre me acalma, aqui estou. Tô inquieta, pois tenho pequenos projetos cozinhando dentro de mim, e não sei se acrescento uma pitada de coragem e deixo em fogo alto, ou se devo levar em banho maria até que eu me sinta mais segura... Sei que às vezes arriscar é preciso, mas é que eu tenho tanto medo... freqüentemente eu sinto como se estivesse apostando minhas fichas em jogos duvidosos e penso em recuar, em desistir... mas e se for ganho certo? E se for mesmo verdade?... Eu só queria não ter tantas dúvidas... eu só queria me entender melhor e saber o que fazer... Sinto também que eu preciso de mais tempo pra mim, tempo pra fazer as coisas que eu gosto e me conhecer melhor, porque talvez assim eu possa resolver o que fazer com meus projetos e aspirações...
Mas, mudando de assunto, dessa vez abandonei geral, né? Nossa, muitos meses que não venho aqui... mas não foi por falta de vontade de escrever, só que como eu já disse em algum post aí atrás, é complicado escrever quase sempre coisas melancólicas... eu prometi pra mim mesma que viria aqui pra dizer algo positivo, ou interessante, ou engraçado... Mas a verdade é que eu não sei fingir, então não consegui escrever nada. Além disso tem o problema do tempo e das obrigações que me consomem... =~ Mas, pulemos o comentário dessa parte, porque eu imagino que vocês saibam como é...
Então, é isso... mais uma atualização sem graça e uma promessa de voltar com um post menos chato. Um beijo pra vocês, e obrigada por ainda lerem isso aqui. =*
Eu sei que pode
parecer estranho pra você receber uma carta minha depois de tanto tempo sem
contato; mas é que eu estou sozinha, só me resta você. Estou realmente
precisando desabafar e contar algumas coisas. Primeiro, gostaria de te explicar
o porquê do “lugar nenhum”. Você conhece a minha história e os meus amores, sabe
qual foi o mais importante deles, e é sobre isso que quero te falar. Antes de
conhecê-lo, eu estava perdida, eu vivia a minha vida sem paixão e sem me
importar com o que iria acontecer comigo. Sempre fui sozinha, já havia me
acostumado a não deixar ninguém alcançar meus sentimentos mais profundos. Mas,
ele chegou devagar, me enchendo de carinho e eu acabei deixando ele se aproximar
mais e mais. A partir daí minha vida se iluminou, ficou colorida... o sorriso
dele era meu alimento e tudo o que ele fazia era belo. Nunca alguém havia me
tratado daquele jeito, me sentia protegida, ele me abraçava e eu pensava que no
mundo jamais existiria outro sentimento tão verdadeiro e bonito como aquele. Era
tão perfeito que eu tinha medo... medo de que acabasse e de que eu me
machucasse, ou pior, de que ele
saísse machucado. Bem, o tempo foi passando e ele se tornava cada vez mais
importante pra mim; você sabe, acompanhou parte da história e, naquela época,
você e eu ainda mantínhamos um contato assíduo...
Eu o amava mais do que
a mim mesma, e este foi um dos meus erros. A minha felicidade dependia quase que
exclusivamente dele, mas eu não tinha do que reclamar... ele foi uma das
melhores pessoas que conheci na vida; engraçado, sempre gentil, atencioso,
carinhoso, compreensivo... ele sempre achava as palavras pra me fazer sentir
melhor, ele parecia sempre estar certo e quando eu olhava em seus olhos eu só
conseguia agradecer mentalmente por ter tido tanta sorte e por terem colocado
aquele prêmio em meu caminho. Ficávamos horas nos olhando e trocando carinhos
sem dizer nada... a cumplicidade era tanta que o silêncio nunca incomodava,
éramos muito próximos, quase um só. Palavras se tornavam desnecessárias. Eu
nunca pedi nada disso, mas ganhei... ele caiu do céu e me fez
viver.
Certo dia, estávamos
eu e ele debaixo de uma árvore no parque perto de casa. Ele insistiu que
fôssemos dar um passeio, e eu aceitei. Ele recitou dois poemas que fez pra mim,
e eu nem acreditava na sorte que tinha... Ele falou também de você, perguntou
como estava e se continuava comendo muito doce... disse que sim, que você era
muito teimosa mesmo, e que eu estava tentando te convencer a deixar de ser tão
chata. Conversamos muito, foi ficando tarde, eu disse que já estava na hora de
ir embora e me levantei, mas ele delicadamente me puxou de volta e me roubou um
beijo. Deste em particular me lembro completamente, cada segundo, cada
movimento, o cheiro bom dele e o seu gosto doce... ele me amava. Então nos
levantamos e saímos de mãos dadas. Ainda antes de sair do parque ele parou e me
olhou de um jeito diferente, então eu dei um sorriso e perguntei o que estava
acontecendo. Ele parecia querer me falar alguma coisa, mas não conseguia. Sua
expressão foi ficando séria e então eu entendi.
Você já me viu chorar
alguma vez? Já me viu triste por causa de alguém a ponto de achar que minha vida
não tinha mais valor? Pois eu chorei, e desta vez chorei por todas as outras em
que não consegui derramar nenhuma lágrima. Nunca achei que algo pudesse doer
tanto como isso, nunca... quando ele me contou que iria partir, eu fiquei tão
assustada que não conseguia falar nada. Ele me abraçou e eu me sentia tão mal
que tinha vontade de sumir. Mas quem sumiu não fui eu.
Ele se foi, querida,
me deixou e nunca mais vai voltar, não pra mim, não como antes... È morto, como
diria o nosso nonno. E não pense que foi fácil pra mim dizer esta frase, tive
até que usar outra língua, pra que não soasse tão pesado... acabei voltando para
lugar nenhum e embora não esteja mais perdida, a saudade dói. Eu sei que desta
parte da história você não sabia, e achei que deveria te contar.
Mesmo depois de tanto
tempo, eu tenho certeza que você ainda se preocupa comigo e ainda pensa em mim,
eu sinto isso, e sei que logo vai me responder como se nunca tivéssemos nos
afastado, eu te conheço.
Era isso o que eu
tinha pra te dizer; eu estou melhor, não choro mais, mas a saudade dele é algo
que vai me acompanhar pra vida toda. Todas as noites eu peço para que ele esteja
bem, pra que ele seja feliz onde estiver... Eu tenho consciência de que ele vai
me acompanhar sempre, e de que nunca vou esquecê-lo, porque o amei tanto, mas
tanto, que ele ainda vive aqui, em mim. E em cada próximo beijo
que eu der, eu vou procurar o gosto doce dele, em cada novo abraço vou procurar
a proteção que ele me dava, em cada olhar com que eu me deparar vou procurar
involuntariamente resquícios do amor que ele me devotava. Mas, a vida não acabou
como eu pensei, foi tudo bom, amar é bom.
Aguardo tua resposta,
não me deixe sozinha agora, por favor...